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Sexto
dia
Nobreza
e excelência do Coração de Jesus
"O Coração de Jesus é o Rei
dos Corações, pela sua grandeza, poder e mérito"
É o maior de todos os
corações, porque os encerra todos em si. É o mais poderoso,
porque deles pode dispor à sua vontade. Conhece todos os
segredos, todas as molas de todos eles, e pode dar-lhe o
impulso que lhe aprouver. É o mais digno de mandar,
porque é o mais obsequioso, amável e amoroso; visto
como quis ser ferido por amor, para sarar todos os
corações, e preparar-lhes um banho de seu próprio
sangue.
Sua chaga é sua coroa; mais
legítimo não pode ser o direito que sobre nós Ele tem.
Não lhe podemos recusar obediência sem injustiça, pois
tudo lhe devemos; nem sem loucura, pois que nada nos
ordena que não seja para nosso bem, sendo o seu único
fim, nos convites instantes que nos dirige para nos
consagrarmos a Ele, tornar-nos tão felizes como santos.
Honremos, por conseguinte, este Sagrado Coração, já
que tanta nobreza e excelência tem; rendamos-lhe nossas
adorações, pois é o Coração de um Deus; sigamos
todos os seus impulsos, visto ser Ele regra infalível e
origem de todo o bem que no mundo se opera;
submetamos-lhe nossa vontade, pois que é o Rei dos
corações. Consideremo-lo como selo real de divino e o
imprimamos no nosso, a fim de copiar-lhe os traços.
«Ponde-me como um selo
sobre vosso coração», diz Jesus. Isto é,
segundo a explicação de Santo Anselmo: deixai-me
governar vosso coração e pensamentos a fim de que seja
eu o diretor de todos os atos de vossa vida.
Cumpre-nos pôr Jesus Cristo como
um sinete em nossa fronte, em nosso coração e em nossos
braços, diz Santo Ambrósio; em nossa fronte, para
fazermos profissão pública de nossa fé; em nosso
coração, para nele fazermos rimar o seu divino amor; em
nossos braços, para trabalharmos incessantemente no
aumento de sua glória, pela prática das boas obras.
Façamos, pois, resplandecer a
imagem de sua grandeza em nossas palavras, afeições e
obras e, se possível for, esforcemo-nos por exprimir em
nós suas virtudes; pois é Ele o cunho da santidade
incriada que o Pai Eterno gravou com a ponta dos cravos,
dos espinhos e da lança, para marcar nossas almas com o
selo da sua humildade, doçura, paciência, amor e outras
perfeições suas.
Alma devota, apenas sentires que a
ambição do século com fascinador atrativo lisonjeia-te
o coração, ou que o mundo com vão esplendor ofusca-te
os olhos, levanta o espírito para o Céu, e, seguindo o
conselho de São Jerônimo, escuta estas palavras do
Esposo: "Põe-me como um sinete sobre teu coração
e sobre teus braços".
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