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Nono
dia
Ternura
do Coração de Jesus pelos homens
Tanta atividade o fogo não tem
para consumir o combustível, nem a pedra tanta
velocidade para chegar ao centro, nem os rios mais
impetuosos tanta rapidez para se unirem ao mar, quanto
ardor tem o Coração de Jesus para comunicar-se às
almas, quando se preparam, prevendo o obstáculo do
pecado, que de alguma forma paralisa com violência os
efeitos de seu divino amor.
Nosso Senhor revelou a Santa
Catarina de Gênova que por causa do seu grande amor aos
homens nunca contra eles se irrita a ponto de deixar de
amá-los totalmente; revelou-lhe como está sempre pronto
para penetrar e inflamar os humanos corações com os
mais ardentes raios de seu amor.
Eu ainda não existia, e já o
Coração de Jesus por mim suspirava e pela minha
salvação, anelava dar-se a mim, e de mim cuidava. Tão
amante do meu é este adorável Coração que não hesita
em bater-lhe à porta e pedir-lhe entrada: Sto ad
ostium et pulso (Apoc 3).
Manifestando, um dia, Nosso Senhor
a Santa Gertrudes duas pulsações de seu divino
Coração, disse-lhe:
«Em cada um destes
movimentos opera-se a salvação dos homens. O primeiro
é pelos pecadores, o segundo pelos justos.
Pela primeira pulsação de
meu Coração falo incessantemente a meu Eterno Pai,
apaziguo-o e inclino-o à misericórdia para com os
pecadores; depois dirijo-me aos meus escolhidos,
movendo-os a reparar pela caridade fraterna as faltas dos
pecadores e a orar por eles; falo enfim aos próprios
pecadores, chamando-os misericordiosamente à
penitência, esperando sua conversão com ânsia
inefável.
Pela segunda pulsação
dele, falo também a meu Eterno Pai, e o solicito a
congratular-me pelo sangue que tão utilmente derramei
pela redenção dos justos, em cujos corações acho as
minhas delícias de muitos modos; em seguida, exorto toda
a milícia celeste a louvar-me pela vida admirável de
meus Santos, a fim de que graças me dê pelos benefícios com que os cumulei e hei de cumular. Dirijo-me, afinal,
aos justos mesmos, afagando-os de diferentes maneiras, e
incentivando-os a crescerem dia após dia, hora após
hora, no meu amor. Da mesma forma que as atividades da
vista, do ouvido, ou de outro qualquer sentido, nunca
suspendem as pulsações do coração humano, assim
também jamais o governo do céu, da terra, do universo
nem outra qualquer coisa do mundo, poderá suspender,
neutralizar, ou moderar um só instante, até o fim dos séculos, estes dois impulsos do meu Coração pelos
homens.»
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