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Décimo
quinto dia
O
Sagrado Coração de Jesus chama todos a si
Venite ad me omnes (Mt
11,25). Como são belas estas palavras!, diz São
Basílio de Selêucia: "Vinde todos a Mim, não
limito minhas promessas; Meu Coração é fonte
inexaurível de bondade, que pode apagar todos os crimes.
Vinde todos a Mim; Meu Coração é
assaz grande para todos. O mar de minha misericórdia é
bastante vasto para receber todos os pecadores que, como
rios, nele se lançam em multidão, para afogar suas
culpas.
Vinde todos a Mim; porque minha
palavra não pode falhar: esta é uma rede que estendi no
mar do mundo, para apanhar e fechar nela todos os homens.
Vinde todos a Mim. Ó voz poderosa,
que triunfou de todas as nações do mundo! Palavra
salutar, palavra soberana, que cativou o universo sob o
jugo da fé" (Nouet).
Venite ad me omnes. Vinde
todos a mim, vinde ao Meu Coração. Jovens, ide ao
Coração de Jesus; a mais extremosa mãe nada sente que
se assemelhe à ternura em que por vós arde este divino
Coração. Anciãos, ide ao Coração de Jesus, que
renovará vossa mocidade como a da águia. Justos, ide ao
Coração de Jesus: encerrados naquele asilo, crescereis
diariamente de virtude em virtude.
Pecadores, ah! pecadores, ide, ide
todos ao Sagrado Coração de Jesus, ainda que a veste de
vossas iniqüidades esteja mais vermelha do que a
púrpura: Ele a tornará alva como a neve.
É sobretudo para os pecadores que
mais abusaram de Seus benefícios, que o Coração de
Jesus Se mostra mais liberal, comprazendo-se em verificar
esta palavra da Escritura: "Onde abunda a
iniqüidade, superabunda a misericórdia".
Ovelha desgarrada da casa de
Israel, mísera alma que te cansaste no caminho da
iniqüidade, talvez penses no triste estado a que teus
desvarios te reduziram: "o Senhor me desamparou para
sempre; o Senhor não se lembra mais de mim"... Ouvi
o que Jesus disse a uma dessas almas que arrancou do
abismo do pecado para fazê-la participar dos tesouros da
sua misericórdia, S. Ângelo de Foligno: «Meus
filhos que pelo pecado renunciaram a Meu reino, e se
escravizaram ao demônio, são bem recebidos por seu Pai
quando voltam, e, nos transportes de alegria que Lhe
causa seu regresso, dá a esses pecadores graças que nem
sempre concede às almas inocentes. Por que motivo?
Primeiro por causa do imenso amor que lhes tem; depois
porque a profunda miséria deles O fez misericordioso
para com eles; e também pela dor que sentem de haver
ofendido tão alta Majestade e tão clemente bondade, da
qual se julgam indignos, reconhecendo que mereceram o
inferno. Por todos estes motivos, aquele que mais pecou
pode obter maior graça e experimentar maior
misericórdia».
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