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Décimo
sexto dia
Como
devemos procurar o Coração de Jesus
"Em primeiro lugar,
aproximai-vos do Coração de Jesus em espírito de penitência,
para chorar vossas culpas e delas obter perdão,
adorando-o como o Apóstolo São Tomé com profundo
respeito, dizendo com um coração contrito e humilhado:
Meu Senhor e meu Deus, Dominus meus et Deus meus,
minha única esperança, permiti-me que busque o remédio
de minhas chagas nas chagas de vosso Coração.
Ó Coração ferido de amor e de
dor, que tanto arrependimento concebestes de todos os
pecados do mundo, não é justo que eu deplore os meus e
que vos testemunhe o profundo pesar que tenho de vos
haver causado tanta tristeza? Coração infinitamente
Santo e sumamente amante da pureza, que não podeis
suportar a menor mácula, imprimi no meu o temor e horror
às mais leves ofensas. Coração penitente que pagastes
o resgate de todos os cativos, ajudai-me a querbrar
minhas cadeias, a combater meus maus hábitos, a
mortificar meus sentidos e a reparar com a penitência a
glória que vos hei roubado..
Em segundo lugar, ide ao Coração
de Jesus como ao vosso asilo, em espírito de confiança
para submergir todas as vossas tristezas, desgostos,
aflições, penas e dissabores naquele abismo de doçura
e bondade." (Nouet)
Quanto mais pecadores fordes, mais
deveis reanimar vossa esperança no Coração de Jesus:
"Só o amor não se cansa de perdoar".
Jesus não veio pelos justos, ou
pelo menos por aqueles que assim se julgam; mas pelos
pobres pecadores; é no meio deles que se alegra:
deixa-se chamar amigo dos pecadores; corre-lhes ao
encontro e chama-os com lágrimas; faz mais festa no céu
pela conversão de um só deles do que pela perseverança
de noventa e nove justos. Ah, quão agradável lhe é
vossa confiança, depois das vossas culpas. Esta lhe fere
deliciosamente o Coração, como dizia Santa Gertrudes: Unus
sculorum delicia mea, quo transverberat cor meum, secura
confidentia est (Insiniot).
Um grande servo de Deus, cuja
filial confiança e abandono à Providência tinham, por
assim dizer, feito o distintivo de seu caráter,
esclarecido na morte com a mais viva luz acerca das
misericórdias de Deus, exclamara: Ah! se eu pudesse
recobrar a saúde para só viver de confiança!
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