
Trigésimo
terceiro dia
Do zelo que Jesus
espera daqueles que Lhe são consagrados, em espalhar por toda a parte
a devoção ao Sagrado Coração
Não basta ter-se grande devoção ao Sagrado
Coração. É preciso exercitá-lo com desvelo, o que pouco vos
custará, se o amais: a prova menos equívoca do amor é o zelo. Quem
zelo não tem, amor não sente, diz Santo Agostinho: Qui non zelat,
non amat.
Quais são, porém, os meios de exercitar o
zelo? Conheço três que estão ao nosso alcance. O primeiro é o
exemplo; dai o de terna devoção ao Sagrado Coração de Jesus, é
esta a mais curta e eficaz das lições. O segundo é recomendá-la e
fazê-la conhecer aos que a ignoram; conservá-la e aumentá-la nos
que dela já têm algum princípio. O terceiro, o mais seguro e
fácil, é rogar com fervor a esse Sagrado Coração que se faça
conhecer e amar por essas luzes e toques secretos que iluminam e
transformam os corações.
Ninguém pode escusar-se de empregar tão fácil
expediente; os Santos bem sabiam qual o poder da oração sobre o
Coração de Jesus nas empresas de zelo; por isso, nunca deixaram de
uni-la às suas pregações, lembrando-se do que diz São Paulo:
"não é aquele que planta, nem o que rega, mas só Deus é quem
dá o incremento".
Conta-se de um Padre da Companhia de Jesus que
nunca pregava sem que houvesse passado três horas em fervorosa
oração, acompanhada de muitas lágrimas.
Um irmão coadjutor da mesma companhia,
interrogado por um Padre acerca dos meios de que lançava mão para
ganhar tantas almas a Deus em seu cargo de porteiro, respondeu:
"Aos homens dirijo uma palavra e cem a Deus..." Sirvamo-nos
do mesmo recurso e resultado igual alcançaremos.
Oremos, e se nossas culpas nos tornam indignos
de sermos os instrumentos de que Jesus Cristo se queira utilizar para
fazer conhecer Seu Coração, peçamos-Lhe que nos substitua por
outros.
Supliquemos-lhe que envie à Sua messe
apóstolos de Seu Coração que, compenetrados das vantagens dessa
devoção, consagrem-se a aumentá-la e propagá-la.
Oremos, sim, oremos, tudo é prometido à
oração. Uma alma santa perguntando a Deus por que motivo neste
século corrompido não suscitava alguns desses Santos cujo zelo quase
que transforma o mundo, teve por resposta: «Não oram
bastante».
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