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Semana Santa
Domingo da Paixão

“O bom Jesus não diz: ‘Tomai a minha cruz sobre vós’ - mas: ‘Cada um tome sua cruz!’” (Bv. Henrique Suso OP)

      Muitos querem servir a Deus no Tabor e bem poucos o querem no Calvário.

      No Tabor da saúde, que diligência, que zelo, que boa vontade! As orações se prolongam por longos minutos, e até por horas, ao pé do Sacrário. Louvam, bendizem o Senhor como o Profeta-Rei em todas as maravilhas da criação. Cantam o “Magnificat” e o “Te Deum”.

      Veio o calvário da doença, com a cruz do leito, os cravos e feridas, dores por todo o corpo, o fel das amarguras e desgostos da vida. Aí desaparece a piedade! Ao “Te Deum”, sucede um “Miserere” sem contrição, e ao “Magnificat”, um “De profundis” queixoso e desolado.

      Se louvamos a Deus na saúde, por que não O bendizer na doença? É que só queremos fazer a Vontade de Deus quando essa Santa Vontade está conforme à nossa.

      Quando Deus quer que estejamos doentes, queremos estar sãos. Quando Ele quer que exerçamos a paciência, queremos exercer a humildade, a devoção, a oração, ou outra qualquer virtude, não por ser mais da Vontade de Deus, mas por o ser da nossa. É um erro e de conseqüências lamentáveis na vida espiritual.

      Acostumemos a nossa pobre e rebelde natureza à paciência e à resignação, principalmente na doença. No Tabor da saúde, façamos, sim a nossa tenda aos pés do Senhor, mas não nos esqueçamos de que precisamos, também como Nossa Senhora, ficar ao pé da cruz, resignados e humildemente submissos à Vontade de Deus!

Monsenhor Ascânio Brandão
O Breviário da Confiança

 

A fé do “bom ladrão”

      No momento em que, vencido, morria sobre a cruz ensangüentado, desfeito, escarnecido e aparentemente impotente, o que é que vê o bom ladrão que lhe faça dizer: “Senhor, lembrai-vos de mim quando tiverdes entrado no vosso reino”?

      Nenhum ato de fé, talvez, seja mais emocionante e mais perfeito que esse, no momento em que tudo o que era humano abandonava Jesus, em que já se não vê nada mais que possa seduzir ou arrastar, nada mais, seguramente, que dê impressão de poder. O Mestre desapareceu, já só resta a Vítima. Os apóstolos pensaram assim e fugiram. Mas não, há uma testemunha. “Senhor”, diz ele. Ouvis? Ele diz “Senhor”. “Senhor, lembrai-vos de mim quando tiverdes entrado no vosso reino”. É de REINO que ele fala, e eles estão lado a lado, agonizando juntos, e é Jesus o mais desfeito.

Jacques Leclercq
Por que Jesus? in: Diálogo do Homem e de Deus

 

      Jesus estava sozinho e nesse momento encontrava em Dimas todo o amor que queria ter encontrado em Seus Apóstolos. Aquele homem tinha até se atrevido a defendê-lo, enquanto os outros, os que Ele amava, exceto João, tinham fugido covardemente para não se comprometer e cair junto com Ele.

      Parecia que os Seus, em mais de dois anos, não tinham sido capazes de crer verdadeiramente em Suas Palavras, pois do contrário estariam ali, junto dEle.

      Este homem, Dimas, em alguns minutos acreditou em Sua parte Divina, por ouvir de seus lábios algumas palavras, uma súplica ao Pai, tinha descoberto a Verdade e o Caminho para a Vida…

      Ele estava vendo Jesus agonizar, com a Paz dos que nada têm a temer, com a Esperança dos que sabem que há algo em que esperar. Dimas quis crer nesse “algo” porque estava diante da própria Esperança.

      Com muito cansaço pelo esforço e pela dor, com a emoção de ter visto a Luz, pronunciou as palavras que o levariam à santidade: “Jesus, lembra-te de mim quando estiveres no Teu Reino!...”

      Essas palavras equivalem às que hoje dizemos no confessionário: “Padre, perdoa-me, porque pequei”.

      Na noite anterior, enquanto Jesus sofria o início de Sua Paixão para salvar pecadores como cada um de nós e como Dimas, o “bom ladrão” não suspeitava sequer que sairia de sua prisão insultado, cuspido, repudiado, na qualidade de “mais um maldito”, para encontrar-se com a Fonte do Amor Misericordioso. Ignorava que ao entardecer chegaria ao Palácio do Rei dos Reis, pelo braço do Príncipe da Paz.

      E Jesus viu nesse malfeitor o amigo. Porque amigo é aquele que confia em alguém, que lhe entrega sua confiança sem medo. Amigo é aquele que se apieda de ti nos teus momentos de sofrimento, não aquele que acrescenta sal às tuas feridas…

      Amigo é aquele que quer permanecer a teu lado e ir contigo até o fim, sem ouvir os gritos dos condenados, dos que acusam, injuriam, insultam e querem te ver morrer da forma mais terrível, porque seu coração está cheio de crueldade.

      Esse olhar de Jesus substituiu o abraço que desejava lhe dar, assim como hoje abraça todo aquele que Lhe confia e consagra sua alma. Em meio a Suas lágrimas e espasmos, sorriu e com uma voz cheia de ternura prometeu:

“Em verdade te digo que hoje mesmo
estarás Comigo no Paraíso”

Catalina Rivas
Do Sinai ao Calvário


 

Devoções