Meditações da Quaresma

Sábado da 4ª Semana da Quaresma

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“Não recebais em vão a graça de Deus!”

Nós vos exortamos a não receberdes em vão a graça de Deus, pois ele diz: “No momento favorável, eu te ouvi e no dia da salvação, eu te socorri”. É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação.
(2Cor 6,1-2)

A leitura da segunda Carta de São Paulo aos Coríntios nos dá um incentivo a mais para bem vivermos esta Quaresma: não há porque esperarmos que algo mais aconteça para mudarmos de vida, pois é agora o dia da salvação!

Nossa Senhora nos diz o mesmo, de diversos modos, em suas aparições: “Não recebais em vão a graça de Deus”... Pois é certo que Deus nos concede a graça - a graça de nos converter, de nos salvar. Então, cabe a nós não desperdiçar o que Ele nos dá.

E quando nos vem essa graça? Hoje! Agora é o momento favorável, o momento cheio da graça do Senhor!

E mais: Deus, que é Pai amoroso, conhecedor de nossas fraquezas, deu-nos Seu Filho Único já tendo em vista nos dar também a Imaculada, que como Mãe nos orienta, anima, alerta e ainda intercede por nós.

Cheia de Graça

A materna missão de Maria, pois, impele o Povo de Deus a dirigir-se, com filial confiança, àquela que está sempre pronta para o atender, com afeto de mãe e com o valimento eficaz de auxiliadora (LG 60-63). Por isso, cedo começou o mesmo Povo de Deus a invocá-la sob os títulos de Consoladora dos aflitos, Saúde dos enfermos e Refúgio dos pecadores, a fim de alcançar conforto nas tribulações, alívio nas doenças e, quando ilaqueado pela culpa, a força libertadora; porque ela, isenta do pecado, leva os seus filhos a isto: a debelarem, com decisão enérgica, o pecado (LG 65). E uma tal libertação do pecado e do mal (cf. Mt 6,13), importa frisá-lo bem, é a condição necessária para toda e qualquer renovação dos costumes cristãos.

(...) Para o homem contemporâneo, - não raro atormentado entre a angústia e a esperança, prostrado mesmo pela sensação das próprias limitações e assaltado por aspirações sem limites, perturbado na mente e dividido em seu coração, com o espírito suspenso perante o enigma da morte, oprimido pela solidão e, simultaneamente, a tender para a comunhão, presa da náusea e do tédio, a bem-aventurada Virgem Maria contemplada no enquadramento das vicissitudes evangélicas em que interveio e na realidade que já alcançou na Cidade de Deus, proporciona-lhe uma visão serenadora e uma palavra tranqüilizante: a da vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação da alegria e da beleza sobre o tédio e a náusea, das perspectivas eternas sobre as temporais e, enfim, da vida sobre a morte.

(S. Papa Paulo VI, Marialis Cultus, 57)